VOLTA: Paula Bohm apresenta exposição na Casa Ocre, em encontro que reuniu cerca de 60 convidados
- Absolute Rio

- há 11 horas
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A Casa Ocre, de Andrea Brito, recebeu nesta quinta-feira, 13 de agosto, a abertura de VOLTA, exposição da artista Paula Bohm, em um encontro que reuniu cerca de 60 pessoas, entre amigos, arquitetos, artistas plásticos e convidados ligados à cena cultural e criativa. O evento aconteceu das 18h às 22h, em uma noite marcada pelo encontro, pela arte e pela ocupação sensível do espaço.
Em VOLTA, Paula Bohm apresenta um recorte de sua produção a partir da investigação da relação entre costura e memória, utilizando resíduos têxteis provenientes da indústria da moda. Por meio de gestos como acúmulo, colagem e transformação, suas obras transitam entre imagem, objeto e instalação, deslocando materiais que seriam descartados para o campo das artes visuais.
O próprio título da mostra aponta para uma ideia central na pesquisa da artista: VOLTA é movimento circular, mas também o contorno que delimita um espaço e um tempo. É a partir dessa noção de ciclicidade que ganha destaque a série Mapa Solar, concebida durante o isolamento provocado pela pandemia, quando o sol passou a assumir um papel ainda mais concreto na percepção da passagem do tempo e na conexão com o mundo exterior.
Na Casa Ocre, a série se materializa em uma tríade de obras site-specific, desenvolvidas em diálogo direto com a arquitetura do espaço. Paula registrou a incidência da luz solar nas paredes da casa, utilizando moldes de papel para decalcar a geometria da luz e transferi-la para o tecido. A cor foi fixada por meio do Batik, técnica milenar de tingimento resistente à cera.
Instaladas exatamente nas coordenadas originais em que a luz foi capturada, as obras estabelecem um diálogo entre o instante e o movimento: de um lado, a imagem estática do sol retida no tecido; de outro, o fluxo contínuo do ciclo solar que atravessa a arquitetura da Casa Ocre.
A pesquisa se amplia na relação profunda de Paula com o universo têxtil. Seu trabalho parte do reaproveitamento e da ressignificação de resíduos da indústria da moda, aproximando tecidos, fios e fibras e reativando saberes manuais transmitidos entre gerações de mulheres. Ao trazer essas práticas para o campo da arte contemporânea, a artista reafirma a manualidade como linguagem de resistência, arquivo vivo e possibilidade de construção de novas memórias.
A abertura na Casa Ocre celebrou justamente essa dimensão do trabalho: uma exposição que transforma matéria, luz e memória em experiência, ao mesmo tempo em que aproxima arte, arquitetura e encontro. Entre obras, conversas e a presença de convidados, a noite marcou o início de VOLTA em um espaço especialmente atravessado pela relação entre luz, tempo e matéria.








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