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Uma visão do etarismo


Com os avanços da ciência, parte da população tem vivido mais e, por conseguinte, melhor. Fazem da alimentação saudável e da prática de exercícios um compromisso com o bem-estar. Por outro lado, entendem que não podem parar de trabalhar — embora o façam em ritmo mais reduzido —, e que estudar e se requalificar ajuda na sua saúde cerebral e emocional.


Surge, assim, um conjunto de pessoas altamente capacitadas, com mais de 50 anos até os 80, que se coloca à disposição do mercado laboral, com muita vivência e prontas a aceitar novos desafios. Vislumbram contribuir para efetivas revoluções necessárias à sobrevivência das empresas.


A grande pergunta é: como as empresas, notadamente seus setores de recursos humanos, encaram a contratação dos novos colaboradores que se apresentam? Há uma tendência para contratação de recém-saídos de faculdades e cursos, por entenderem que são mais fáceis de adaptar, se contentam com salários menores e produzem sem parar, pois estão começando.

Acredito ser uma miopia de percepção preconceituosa. Não há nada mais rico do que o convívio entre recém-egressos e pessoas da melhor idade. Nasce uma cultura de avanços significativos num conceito de modernidade experimental.


Estará o mercado pronto para a nova realidade? Sinceramente, não acredito. Vejo que guardam a imagem de clubes onde aposentados jogam xadrez ou dominó e cujo lazer é passar o dia comendo fora ou participando de aniversários de adesão. O fato de não terem mais atividade profissional os torna menos felizes e mais propensos a contrair enfermidades.

Na atividade turística e hoteleira, o pessoal da linha de frente é normalmente mais jovem, mas ainda há uma permanência de quadros com 50+. Na arte, dá-se uma grande importância a beldades jovens nas novelas, embora o assunto do etarismo comece a ser discutido.


Os artistas plásticos sobrevivem com novos formatos de interação com o público. A velhice expulsa, querendo ou não, grandes jornalistas e escritores. Um mundo de muitas contradições, que endeusa tipos escolhidos pelo consumo e esquece que a idade vai chegar para todos.


Há também uma vontade de permanecer jovem a vida toda. Pintam os cabelos grisalhos, mudam o contorno dos rostos e usam injeções milagrosas que podem reduzir o peso e melhorar a autoestima, mas também podem trazer outros males. Em minha humilde opinião, tais fatos não vão aumentar a empregabilidade.


Nosso grande desafio é tornar os novos cinquentões e sessentões atrativos para o mercado, conscientizando-o de sua relevância e colaboração. Nada mais humano e solidário do que encontrar gerações diversas buscando resultados conjuntos. Como é vital estarem também em mesmos espaços acadêmicos. Como um sessentão muito ativo e esperançoso, quero me associar aos movimentos que lutam contra o etarismo.

Bayard Do Coutto Boiteux é funcionário público de carreira, professor universitário, escritor e pesquisador.

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