Quando a amizade vira interesse eleitoral e a palhaça é você
- Absolute Rio

- há 15 horas
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Em períodos que antecedem as eleições, surgem pré-candidatos dispostos a visitar bairros humildes, distribuir abraços, fazer promessas e posar para fotografias. Demonstram uma proximidade que, muitas vezes, desaparece assim que conseguem o voto, a visibilidade ou os recursos de campanha. Usam de amizades verdadeiras e familiares para enganar quem mais acreditou em você durante anos.
O problema não está apenas nas promessas que podem não ser cumpridas. Está também no uso da esperança de pessoas que enfrentam dificuldades reais. Gente humilde não pode ser tratada como cenário eleitoral, número em pesquisa ou instrumento para obter dinheiro e poder.
"Recentemente, vivi uma situação que me fez refletir sobre esse comportamento. Acreditei em palavras, cumprimentos e demonstrações de consideração que depois pareceram movidos apenas por interesse. Senti-me enganada e usada. Por responsabilidade, não apresento como fato aquilo que ainda precisa ser comprovado, mas considero legítimo questionar: qual é o verdadeiro destino dos recursos e quais interesses estão por trás de certas aproximações?" quer saber Marisa Araujo, jornalista que caiu no que chama de "canto da sereia". "Me senti uma palhaça me expondo por uma pessoa que já estava até condenada socialmente."
Recursos eleitorais existem para financiar atividades autorizadas pela legislação, e não para satisfazer vaidades ou despesas pessoais. Quando houver suspeitas de irregularidade, a resposta deve vir por meio da transparência, da prestação de contas e da investigação dos órgãos competentes - não por boatos nem condenações antecipadas.
A população precisa observar não apenas os discursos, mas também o histórico, as atitudes e a coerência de cada pré-candidato. Quem só procura as comunidades perto das eleições, promete sem explicar como cumprirá e usa pessoas vulneráveis para produzir imagens demonstra que talvez esteja mais preocupado com a própria candidatura do que com o bem coletivo.
"Quem dá de verdade não tem que mostrar fotos e vídeos"

Cumprimentar com falsidade também é uma forma de desrespeito. A política deveria ser feita com compromisso, verdade e prestação de contas. A dignidade das pessoas não pode ser moeda de campanha, e a confiança do eleitor não deve servir para financiar ambições pessoais.
Antes de acreditar em mais uma promessa, é preciso perguntar: quem é essa pessoa quando não há câmeras, votos ou dinheiro envolvidos?
Quando a promessa de trabalho também vira instrumento de campanha
Há ainda uma situação que merece atenção: a promessa de contratação de pessoas para trabalhar durante uma campanha eleitoral. Em alguns casos, o discurso começa com a garantia de que haverá um contrato, uma função definida e uma remuneração. A partir daí, a pessoa passa a se dedicar à campanha, produzindo divulgação, distribuindo material, fazendo contatos e utilizando seus próprios recursos para realizar o trabalho.
O problema surge quando o contrato nunca chega.
Durante alguns dias, a pessoa pode permanecer aguardando uma formalização que não acontece. Enquanto isso, continua trabalhando, divulgando o pré-candidato e arcando com despesas do próprio bolso, acreditando que o compromisso será posteriormente cumprido.
"Foi justamente uma situação dessa natureza que me levou a refletir sobre os limites entre confiança, expectativa profissional e interesse eleitoral", conta Marisa Araujo.
"No caso que vivenciei, depois de alguns dias de espera pela formalização do contrato, fui informada de que não haveria continuidade e ouvi, como justificativa, que eu não teria feito o suficiente para merecer a contratação." continua a jornalista que se sentiu traída e enganada.
A questão que fica é simples: se uma pessoa é convidada a trabalhar para uma campanha, recebe a informação de que será contratada e, com base nisso, começa a produzir conteúdo, fazer divulgação e assumir despesas, qual é a responsabilidade de quem fez essa promessa?
Não se trata de transformar uma experiência pessoal em condenação antecipada. Trata-se de discutir respeito profissional e transparência.
Quem trabalha não deveria ser colocado na posição de investir tempo, dinheiro e credibilidade pessoal baseado apenas em uma promessa verbal. E, especialmente em períodos eleitorais, é fundamental que relações de trabalho sejam tratadas com clareza, formalidade e responsabilidade.
Também é preciso diferenciar apoio espontâneo de trabalho contratado. Uma pessoa pode voluntariamente apoiar uma candidatura, mas isso é diferente de ser convidada a exercer uma atividade profissional sob a expectativa de receber posteriormente por ela.
No final, fica uma pergunta que vale para candidatos e também para quem aceita trabalhar em campanhas:
Antes de começar a gastar seu dinheiro e colocar seu nome, sua imagem e seu trabalho a serviço de uma candidatura, existe realmente um compromisso formal ou apenas uma promessa? Tome precauções pois estamos a volta com muitas pessoas arrogantes, prepotentes e mau-caráteres.
Cuidados antes de publicar
Guarde provas: mensagens, áudios, comprovantes, datas, nomes de testemunhas e capturas de tela sem edição.
Descreva fatos concretos: o que foi prometido, quando aconteceu, quem estava presente e qual foi o prejuízo.
Diferencie fato de opinião: prefira "senti-me enganada" ou "suspeito que..." em vez de afirmar como comprovado algo que ainda não foi demonstrado.
Procure direito de resposta: se houver pessoa identificável, registre as perguntas enviadas e a resposta recebida - ou a ausência dela.
Não exponha dados pessoais desnecessários: principalmente de pessoas humildes usadas na situação.
Busque orientação jurídica: antes de publicar nomes ou acusações graves, consulte um advogado ou a Defensoria Pública.
Denuncie com documentos: possíveis irregularidades eleitorais podem ser levadas ao Ministério Público Eleitoral e à Justiça Eleitoral.








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