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GRANDE RIO E FAMÍLIA REIS: UMA HISTÓRIA DE SAMBA, GRATIDÃO, COMUNIDADE E ALIANÇAS NA BAIXADA FLUMINENSE

há 55 minutos
8 min de leitura

Em uma tarde de celebração na quadra da Acadêmicos do Grande Rio, duas histórias de forte presença em Duque de Caxias se encontraram novamente: a tradição do samba e a trajetória política da família Reis. Um encontro entre samba, comunidade, tradição, política e gratidão.


Em uma tarde que reuniu integrantes da escola, membros da Velha Guarda, presidentes, convidados, lideranças comunitárias e representantes da família Reis, a Grande Rio abriu suas portas para celebrar uma relação construída ao longo de anos e que, segundo os protagonistas do encontro, ultrapassa os limites de uma simples parceria institucional.


O evento foi marcado por discursos, abraços, fotografias, música, manifestações de carinho e, principalmente, pelo reconhecimento de uma história que une a comunidade da Grande Rio à família Reis.


FAMÍLIAS REUNIDAS. QUADRA LOTADA

E, em meio ao calendário festivo de São Cosme e Damião que movimentava o Rio de Janeiro, Duque de Caxias viveu uma celebração própria, com a Grande Rio recebendo a família Reis em clima de festa e confraternização.


UMA GRANDE RIO QUE NASCEU DE UMA FUSÃO

Para compreender a dimensão simbólica desse encontro, é preciso voltar no tempo.


A atual Acadêmicos do Grande Rio foi fundada em 22 de setembro de 1988, em Duque de Caxias. A escola surgiu a partir da união da então Acadêmicos de Duque de Caxias com a antiga Grande Rio. Registros históricos da agremiação relatam que a fusão foi realizada para permitir que a nova escola disputasse uma divisão mais elevada do carnaval.


Antes disso, a história da Grande Rio já estava ligada à formação de agremiações do próprio município. A antiga Grande Rio havia sido criada em 1971 a partir da união de escolas caxienses, entre elas União do Centenário, Cartolinhas de Caxias, Capricho do Centenário e Unidos da Vila São Luís.


Em 1988, portanto, uma nova fusão transformou definitivamente a história do carnaval da Baixada. Foi nesse processo que surgiu a G.R.E.S. Acadêmicos do Grande Rio, tendo Milton Perácio como seu primeiro presidente. A escola passou a carregar as cores verde, vermelho e branco e a representar, cada vez mais, a identidade cultural de Duque de Caxias.


A história da Grande Rio seria marcada posteriormente por grandes desfiles, vice-campeonatos e, em 2022, pelo primeiro título do Grupo Especial, com o enredo “Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu”.


E ONDE ENTRA A FAMÍLIA REIS NESSA HISTÓRIA?


É justamente aqui que a narrativa ganha um capítulo especial.


A aproximação entre a família Reis e a Grande Rio não corresponde à fusão que originou a escola em 1988. São dois acontecimentos históricos diferentes. A relação política e comunitária entre os Reis e a Grande Rio foi sendo construída posteriormente e ganhou uma marca concreta na história da escola: a construção e melhoria da quadra da agremiação em Duque de Caxias.


Em janeiro de 2008, a imprensa especializada em carnaval registrou a abertura das portas da nova quadra da Grande Rio, ainda em obras, e destacou o agradecimento da diretoria ao então prefeito Washington Reis pelo empenho para que os sambistas do município tivessem um espaço adequado para ensaios e atividades. Na ocasião, Helinho de Oliveira, então presidente da escola, também falou sobre as dificuldades enfrentadas na antiga quadra.


Anos depois, essa história continuou sendo lembrada dentro da própria Grande Rio.


Em manifestação pública, Helinho de Oliveira atribuiu a Washington Reis a realização das obras da nova quadra durante seu primeiro mandato como prefeito e recordou que outros gestores haviam prometido a construção sem que o projeto avançasse.


É essa memória que ajuda a explicar a dimensão emocional do encontro realizado neste domingo.


O ENCONTRO DE 27 DE SETEMBRO


Na festa deste domingo, o primeiro integrante da família Reis a chegar foi Rosenverg Reis.


Recebido por jornalistas e convidados, Rosenverg rapidamente se misturou ao público. Entre fotografias, abraços e cumprimentos, aproximou-se de idosos, crianças e adolescentes.


Um dos momentos que chamaram atenção foi sua aproximação de Rosenverg com as crianças do Projeto Mikhael Monteiro de Prevenção ao Suicídio e Proteção da Criança e Adolescente. Um projeto que teve início pela enlutada mãe de Mikhael a Terapeuta Esteta e Jornalista Rita Monteiro também presente no encontro apresentando artistas como Marysa Alfaia (Intérprete de Rita Lee) e Carlos Pereira (Papai Noel das Instituições Sócias) fazendo a cobertura do evento para Revista ABSOLUTE RIO.


A cena sintetizou uma das características mais importantes da tarde: a aproximação entre a política, a comunidade e os projetos sociais presentes na quadra. Na sequência, Rosenverg participou dos discursos e apresentou suas propostas e perspectivas para o governo. Depois dele, a palavra passou para seu irmão Gutemberg Reis e, posteriormente, para Washington Reis.



UMA FAMÍLIA QUE TRANSFORMOU A POLÍTICA DE CAXIAS EM UMA HISTÓRIA FAMILIAR


A trajetória política da família Reis se consolidou principalmente em Duque de Caxias, município que se tornou seu principal reduto eleitoral. Washington Reis iniciou sua carreira política como vereador em 1992 e posteriormente exerceu mandatos de deputado estadual, deputado federal e prefeito de Duque de Caxias. A Câmara dos Deputados registra seus mandatos federais e sua renúncia ao mandato de deputado em 2017 para assumir novamente a Prefeitura de Duque de Caxias.


Seu irmão Rosenverg Reis iniciou sua trajetória política ao lado de Washington e posteriormente chegou à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. A ficha oficial da ALERJ registra sua atuação parlamentar e sua trajetória iniciada ainda na década de 1990. Gutemberg Reis, também irmão de Washington e Rosenverg, ocupa atualmente o mandato de deputado federal pelo MDB, iniciado em 2023 após seu primeiro mandato federal iniciado em 2019.


A família também ampliou sua presença política com Júnior Reis e a geração seguinte, representada por Netinho Reis, atual prefeito de Duque de Caxias. Documento institucional da Prefeitura registra Netinho Reis como prefeito em 2026.


A trajetória familiar também alcançou o cenário estadual em 2026 com Jane Reis, irmã de Washington. A convenção eleitoral realizada em julho oficializou Jane Reis, pelo MDB, como candidata a vice-governadora na chapa encabeçada por Eduardo Paes, do PSD.

Assim, nomes de diferentes gerações da família passaram a ocupar espaços no Legislativo e no Executivo municipal e estadual.


ROSENVERG, GUTEMBERG E WASHINGTON: TRÊS VOZES NO PALCO


Na Grande Rio, a tarde ganhou contornos políticos à medida que os integrantes da família Reis assumiram os microfones. Rosenverg foi o primeiro a falar, seguido por Gutemberg e Washington. A sequência representou, simbolicamente, diferentes momentos da trajetória de uma família que construiu sua atuação política a partir de Duque de Caxias e posteriormente ampliou sua presença para outras esferas.


Rosenverg, atualmente deputado estadual pelo MDB, possui trajetória política iniciada na década de 1990. Gutemberg exerce mandato de deputado federal pelo mesmo partido. Washington, por sua vez, permanece como uma das principais referências políticas da família.


A EMOÇÃO DE HELINHO DE OLIVEIRA


Um dos momentos mais fortes da tarde aconteceu quando Helinho de Oliveira tomou a palavra. Conhecido por sua ligação histórica com a Grande Rio, Helinho falou sobre a relação entre a escola e a família Reis e relembrou, emocionado, o período em que a nova quadra começou a ser construída. Segundo o relato apresentado por Helinho, durante anos políticos teriam prometido ajudar a escola na construção de uma nova quadra. As promessas, porém, segundo ele, não haviam saído do papel.


Até que a família Reis assumiu o compromisso. Recordou que as obras começaram no início do primeiro governo de Washington Reis e destacou a importância daquele momento para a comunidade do samba. A emoção foi visível! Em determinado momento, Helinho precisou interromper brevemente sua fala, tamanha a carga emocional ao recordar a história. Não era apenas uma obra física que estava sendo lembrada. Era a construção de um espaço que se tornou ponto de encontro da comunidade, palco de ensaios, eventos culturais, atividades sociais, cerimônias religiosas e grandes encontros políticos.


MILTON PERÁCIO: O HOMEM QUE FAZ PARTE DA ORIGEM


Também teve papel de destaque na programação o presidente Milton Perácio, nome indissociável da história da Grande Rio. Perácio foi o primeiro presidente da atual Acadêmicos do Grande Rio após sua fundação em 1988. Os registros históricos da escola apontam sua participação direta no processo de criação da agremiação. Sua presença ao lado de Helinho e dos demais integrantes da Grande Rio durante o encontro reforçou a dimensão histórica da celebração. Ali estavam diferentes gerações de uma escola que nasceu de uma fusão de agremiações e que, décadas depois, tornou-se campeã do carnaval carioca.


DELZA DE OLIVEIRA E O ENCERRAMENTO


A última fala da programação ficou por conta da vereadora Delza de Oliveira. Professora de formação e com trajetória na rede pública municipal, Delza também foi conselheira tutelar antes de chegar à Câmara Municipal de Duque de Caxias. A Câmara registra que ela foi eleita vereadora pela primeira vez em 2016. Atualmente, Delza integra o MDB e continua atuando no Legislativo municipal. Registros recentes da Câmara mostram sua participação em sessões e na apresentação de indicações relacionadas a saúde, educação, infraestrutura e outras demandas da população. Em seu discurso na Grande Rio, Delza agradeceu a presença do público, o apoio aos projetos, aos integrantes da escola e à Velha Guarda.


Ao final, deixou uma mensagem direcionada aos eleitores:

“Novas promessas sempre surgirão. Na hora de votar, lembre-se de quem tem experiência, trabalho realizado e compromisso com quem mais precisa.”


A fala inseriu definitivamente o encontro no contexto das eleições de 2026, sem deixar de lado o caráter de celebração que marcou toda a tarde.


UMA ALIANÇA QUE JÁ HAVIA GANHADO CONTORNOS POLÍTICOS


A quadra da Grande Rio não é estranha aos grandes encontros políticos da família Reis.

Em março de 2024, por exemplo, a própria quadra recebeu um grande encontro político para o lançamento da pré-candidatura de Netinho Reis à Prefeitura de Duque de Caxias. O evento reuniu Washington Reis, Gutemberg Reis, Rosenverg Reis e representantes de diversos partidos. Dois anos depois, em setembro de 2026, o cenário voltou a reunir os mesmos elementos: Grande Rio, família Reis, comunidade caxiense e política. A quadra, que nasceu para ser espaço do samba, tornou-se ao longo do tempo também um importante endereço de encontros comunitários, culturais, sociais e políticos.


DUAS FAMÍLIAS, UMA HISTÓRIA DE APROXIMAÇÃO


É importante fazer uma distinção histórica.

Não houve uma “fusão” entre a família Reis e a família Grande Rio nos moldes da fusão das escolas de samba de 1988. O que existe é uma aproximação construída ao longo dos anos, marcada por relações institucionais, políticas, comunitárias e, principalmente, pelo episódio da construção da nova quadra. A partir daquele momento, a relação ganhou um símbolo concreto. De um lado, uma escola que representa o samba, a cultura e a identidade de Duque de Caxias.


Do outro, uma família que construiu uma trajetória política profundamente ligada ao município. A quadra tornou-se, assim, uma espécie de território comum onde samba e política passaram a se encontrar com frequência.

E o encontro deste 27 de setembro de 2026 foi mais um capítulo dessa história.


GRANDE RIO: DA BAIXADA PARA O TOPO DO CARNAVAL


Ao longo de sua trajetória, a Grande Rio deixou de ser apenas uma escola da Baixada Fluminense para se tornar uma das grandes forças do Carnaval do Rio de Janeiro.

Em 1992, a escola conquistou o acesso ao Grupo Especial. Três décadas depois, em 2022, alcançou seu primeiro campeonato no principal grupo do carnaval carioca.


Sua identidade, entretanto, continua profundamente ligada à Baixada. A escola leva para a Avenida não apenas fantasias, alegorias e sambas-enredo, mas também histórias, personagens, crenças, manifestações culturais e a identidade de uma população que encontrou no samba uma de suas maiores formas de expressão. Por isso, uma tarde como a deste domingo representa mais do que um evento. Representa o encontro de duas histórias que cresceram lado a lado em Duque de Caxias.


O SIMBOLISMO DO ENCONTRO


Entre abraços, selfies, discursos, crianças, idosos, integrantes da escola, políticos e representantes da comunidade, a quadra da Grande Rio voltou a cumprir uma função que há décadas ultrapassa o carnaval. Foi um espaço de encontro. Espaço de memória.

Espaço de gratidão. E, em 2026, também espaço de debate político.


A presença de Rosenverg Reis junto às crianças do Projeto Mikhael Monteiro, os discursos de Gutemberg e Washington Reis, a emoção de Helinho de Oliveira, a presença histórica de Milton Perácio e o encerramento de Delza de Oliveira compuseram uma tarde que ficará registrada na memória dos participantes. A Grande Rio e a família Reis escreveram, mais uma vez, um capítulo de uma história construída em Duque de Caxias. Uma história que começou muito antes deste domingo e que tem, como um de seus principais símbolos, uma quadra que um dia foi promessa e que hoje permanece de portas abertas para o samba, para a comunidade e para os grandes encontros da Baixada Fluminense.


Uma tarde de encontros, lembranças e histórias que merecem ser registradas.


Cobertura especial para a Revista ABSOLUTE RIO.


✍️ Rita Monteiro

Jornalista | Colunista Embaixadora

Revista ABSOLUTE RIO




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