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Cinema Love: de Flora Gil

Álbum de estreia da cantora traz releitura de ‘Moon river’, duetos com convidados e uma leva de composições na qual a artista afirma sua personalidade, numa sonoridade que cruza eletrônico e orgânico, invenção e elegância 


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Canções de paixão e amadurecimento ‘Cinema love’, álbum de estreia de Flor Gil, traz releitura de ‘Moon river’, duetos com convidados e uma leva de composições na qual a artista afirma sua personalidade, numa sonoridade que cruza eletrônico e orgânico, invenção e elegância Leonardo Lichote SAUDADE E AVIDEZ Saudade. A palavra é cantada 20 vezes em “Cinema love”, álbum de estreia de Flor Gil — ela está presente em três das nove faixas. A estatística impressiona ainda mais quando se sabe que as canções são majoritariamente em inglês — criada no Brasil, Flor nasceu em Nova York, onde voltou a morar em 2023. Ou seja, há outras tantas saudades espalhadas ali, diluídas em outros vocábulos, em versos como “How will I live being with someone/ That is not you” [“Como vou viver estando com alguém/ Que não é você”] ou “(...) the deep ache/ I feel in my chest when you leave” [“(...) a dor profunda/ Que eu sinto no meu peito quando você vai embora”].


 A forte presença da saudade — como palavra, mas sobretudo como sentimento — nos versos de “Cinema love”, emoldurados pela delicadeza do canto de Flor, pode fazer crer que há um desejo nostálgico no álbum. Nem perto disso. “Cinema love” é fruto fresco deste tempo, quente como as paixões de que trata, vistos pelo olhar ávido de uma artista de 16 anos. Sua sonoridade eletrônica e orgânica, um pop alternativo que conjuga invenção e beleza, reafirma isso. Saudade ali, portanto, é dor por algo perdido ou longe, mas também é sua própria superação, pela consciência serena da distância e das circunstâncias. Em música, letra e canto, é um álbum, enfim, sobre amadurecimento. Sobre estar viva — portanto se apaixonando, sofrendo, se alegrando, digerindo saudade, crescendo.


Filha de Bela Gil, Flor está desde muito nova presente ao lado da família nos palcos (participa das turnês de Gil há sete anos) e estúdios (como nas três canções que gravou com o avô em 2020). A Flor que se mostra em “Cinema love”, porém, surge com uma identidade própria, marcadamente independente da música do avô. Um movimento que também sinaliza o processo de amadurecimento e busca pelo entendimento de si. “A história desse disco começa em 2023”, detalha Flor. “Inicialmente, eu estava compondo e criando coisas que procuravam ir na direção do que eu acreditava que as pessoas iriam querer ouvir da neta do Gilberto Gil. Mas nem eu estava percebendo isso”. Ela conta que era uma música mais orgânica, na linha de uma nova MPB. “Tinha muita coisa linda, mas não se sustentou em mim, como algo meu. ‘Cinema love’ ainda tem muitos elementos que vêm de inspirações do meu avô, das raízes da minha família. Mas também tem eu querendo experimentar, aprender sobre o meu alcance, até onde eu posso me expandir.

 Acredito que o disco vai surpreender muita gente”.   


  Flor já vinha escrevendo muitas músicas com Bárbara Ohana, com quem tem uma relação familiar e musical desde a infância. Cantora, compositora e produtora, Bárbara se tornou a principal parceira de Flor nesse processo. Não apenas nas composições (elas assinam juntas seis faixas do disco, com ou sem outros parceiros), mas na busca de um caminho próprio para o canto de Flor e para uma sonoridade na qual ela se reconhecesse.


“Flor tem uma cabeça muito aberta, uma liberdade grande para criar”, avalia Bárbara, que assina a produção musical de “Cinema love”. “A sonoridade foi se construindo a partir dessa liberdade. A gente começou a gravar meio que tudo que vinha na cabeça. Ela escuta muita bossa nova, muito R&B… Então, esses intervalos mais diferentes, harmonias mais ousadas, ela estava muito interessada nisso. E querendo, e buscando. A sonoridade surgiu a partir desse desejo de autoconhecimento dela. E eu fui tentando aparar ali as arestas e dar campo pra ela criar. Minha preocupação com a unidade era sobretudo na voz dela. E na delicadeza. Tudo ali tem um quê de delicadeza, isso é dela”. 


“Cinema love” foi gravado nos estúdios Ponto Zurca (na cidade portuguesa de Almada) e 304 (no Rio de Janeiro). Flor faz duetos com os convidados Carol Biazin, Maro e Vitão — os dois últimos também tocam violão em suas participações. A lista de músicos presentes no disco é extensa: Bárbara Ohana (Wurlitzer, piano, Rhodes, MPC, samples, efeitos, sintetizadores, beats); Vovô Bebê (guitarra, violão, efeitos, baixo, Wurlitzer); Gabriel Mielnik (efeitos, beats, sintetizadores, celesta, baixo); Rafaela Prestes (efeitos, sintetizador, percussão eletrônica); Pedro Malcher (sintetizadores, piano, beats); Donatinho (Rhodes, sintetizadores); Bento Gil (guitarra, violão); Rafael Casquera (guitarra, violão de aço); Edu Marson (beat box, percussão eletrônica); Guilherme Monteiro (violão, guitarra); Guilherme Melo (bateria); Pedro Petrucci (baixo); Jhow (bateria); Makson Kennedy (guitarra); e Ana Karina (baixo); Serdar Gelmuradov (violino); Tatiana Glava (violino); Carmen Gragirena (viola); Jorge Bergero (violoncelo); e a própria Flor (sintetizadores).     


  Cada música traz uma formação instrumental diferente, pensada para atender àquela canção. A faixa de abertura “Starstruck”, por exemplo, une sintetizadores, guitarras, MPC e pianos Rhodes e Wurlitzer, entre outros timbres. Já a releitura do standard “Moon river” traz apenas violão, celesta e um quarteto de cordas. O resultado final, porém, converge para uma linguagem própria, que resulta num universo multifacetado, mas com uma identidade marcada: etérea, sutilmente exuberante, elegantemente dramática, intrincadamente leve.


  “CINEMA LOVE” Como seu nome sugere, o disco se desenrola como um filme que tem o amor como matéria. “Tudo acontece com muita intensidade, acontecimento após acontecimento”, explica Flor. “E como são acontecimentos que me formaram, dá pra ver minha vida como num cinema ali. A Bárbara falou: ‘É uma trilha sonora da sua vida’. A gente meio que montou o disco assim, a ordem, a sonoridade. Com movimento, picos de euforia, momentos de calma”. 


Por: Leonardo Lichote   

Créditos / Fotos: Vera Donato
Créditos / Fotos: Vera Donato
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