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Carlinhos de Jesus faz uma análise do Carnaval 2023 e fala sobre o evento Dançando a Bordo

Atualizado: 16 de mar. de 2023


Imagem: divulgação


Carlinhos de Jesus é dançarino, coreógrafo e vive da música há mais de 30 anos. Em 1991, Carlinhos foi o único dançarino popular com participação especial no Rock in Rio naquele ano e, é o padrinho do evento “Dançando a Bordo”.


Para fazer uma avaliação sobre o carnaval 2023, falar dos seus projetos e perspectivas, que eu entrevistei com exclusividade, Carlinhos de Jesus.


Carlinhos, qual a sua análise sobre o desfile das escolas de samba do Rio de janeiro e São Paulo nesse momento de pós-pandemia?


R: A folia 2023 atendeu plenamente à expectativa em relação a ausência dos desfiles durante a pandemia. O povo estava sedento e a energia deste retorno foi total. O Rio de Janeiro presenteou os foliões com a nova iluminação da passarela do samba e o público respondeu lotando a Sapucaí. Em São Paulo também o Sambódromo e as ruas lotaram.


Quais os aspectos que você considera que teve evolução e que ainda precisam melhorar?


R: Evolução foi a iluminação artística da Marques de Sapucaí, ficou maravilhosa, permitindo que cada Escola apresentasse o seu plano de luz. O que precisa melhorar é a segurança dos carros alegóricos.


Qual a sua avaliação sobre a vitória da Imperatriz Leopoldinense e do trabalho que o Marcelo Misailidis fez com a Comissão de Frente contando a história de Lampião, rei do cangaço?


R: Sou fã de carteirinha do Leandro Vieira e do Marcelo Misailidis, muito talento, capacidade de improvisação e história no Carnaval. São dois vencedores. Aplaudo de pé e tiro o meu chapéu. A Imperatriz mereceu o título com o enredo espetacular: "O aperreio do cabra que o excomungado tratou com má-querença e o santíssimo não deu guarida" com o embate de Lampião, Satanás e São Pedro e a comissão de frente inspirada na literatura de cordel que explorou a vida e a morte do cangaceiro concebida de forma poética: Lampião morre e vai ao inferno, mas não é aceito porque cria muita confusão, então vai ao céu e lá não pode ficar pois têm muitas mortes nas costas, e então volta ao sertão onde vive vagando. MUITO BOM!! A IMPERATRIZ mereceu voltar ao Grupo Especial. Outro toque de mestre foi trazer a filha de Lampião e Maria Bonita: Expedita Ferreira da Silva, para o desfile.


Qual a sua avalição sobre os blocos de carnavais que ocorreram pelo Brasil afora?


R: O Carnaval de Rua de 2023 foi espetacular!! Tenho um Bloco de carnaval no Rio de Janeiro, BLOCO CARNAVALESCO “2 PRA LÁ 2 PRA CÁ”, que desfila aos sábados de carnaval há 32 anos. Neste período só deixamos de desfilar na pandemia. Foram 3 anos de vazio no meu peito, pois amo o carnaval e sou cria dos blocos de rua onde desfilo desde os 8 anos de idade. Este ano as exigências foram mais rigorosas, tivemos que atender a todas as determinações do corpo de bombeiros, engenharia de tráfego, vigilância sanitária, segurança e ambulância. Enfim, cuidados que fizeram com que o carnaval de rua de 2023 fosse um exemplo de civilidade e organização.


- O folião contava com banheiros químicos espalhados pelo roteiro dos blocos, os vendedores ambulantes eram cadastrados e treinados, a COMLURB (Companhia Municipal de Limpeza Urbana do RJ) passava todo o tempo limpando as ruas e avenidas, os garis com carros pipas higienizando a cidade. O carnaval desse ano foi o mais limpo dos últimos tempos. A CET-RIO (Companhia de Engenharia de Tráfego do RJ), atuou de forma rigorosa fiscalizando ativamente o trajeto dos blocos.


O que mais te impactou no olhar das pessoas que ficaram impossibilitadas de participar e fazer o carnaval por 3 anos?


R: A ausência do carnaval não só nos privou da alegria, como também trouxe impactos intensos para a economia do Brasil, em especial, para os setores de eventos e turismo. O carnaval tem uma cadeia produtiva enorme, são milhares de pessoas que vivem do carnaval o ano inteiro, são costureiras, aderecistas, artesões, ferreiros, carpinteiros, artistas da dança e da música que ficaram desamparados com a impossibilidade de fazer a festa de Momo. Estas pessoas viviam de doações e de campanhas para terem a cesta básica.


Você tinha um sonho de fazer o cruzeiro ‘Dançado a Bordo’? Qual é a sua sensação em ver esse sonho se tornar realidade? Em quais dias ele acontecerá?


R: Sou Padrinho do evento: DANÇANDO A BORDO e participo desde a sua inauguração há 18 anos. Este evento só não aconteceu em 2020 e 2021. O Dançando a Bordo é uma grande festa de dança de salão, onde as pessoas de todo o Brasil se reúne para se divertirem em alto-mar. Este cruzeiro já é conhecido como o maior e mais respeitado evento de dança de salão do país. São aulas, bailes, palestras, festas temáticas, shows e oficinas de dança durante toda a semana de percurso pela costa brasileira. Neste ano o período será de 12 a 19 de março de 2023. Para mais informações sobre o evento acesse aqui.


Como as pessoas poderão acompanhar essa sua experiência em alto mar e o que elas podem esperar?


R: Neste ano farei um TALK SHOW com Ana Botafogo, onde falaremos sobre os benefícios da dança na vida das pessoas e também teremos um baile de comemoração aos meus 70 anos. Será bastante divertido...


Qual a sua perspectiva para o Carnaval de 2024?


R: Em 2024 se Deus quiser voltaremos com o “BLOCO CARNAVALESCO 2 PRA LÁ 2 PRA CÁ”, que já é um marco no carnaval do Rio de Janeiro, já que ele reúne várias gerações de famílias e turistas nacionais assíduos ao bloco. Desde este ano sou contratado como comentarista do Carnaval Globeleza de Belo Horizonte – MG, uma experiência nova que me estimula muito. Já me aposentei do trabalho artístico na avenida, mas quero morrer trabalhando com o carnaval.


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