A Itália Além do Óbvio
- Absolute Rio

- 15 de jun.
- 3 min de leitura

Procuradora de Justiça e escritora Christiane Monnerat compartilha experiências de viagens solo por destinos pouco explorados do país
Viajar sozinha é uma experiência que exige coragem, curiosidade e disposição para se deixar surpreender. Para a Procuradora de Justiça e escritora Christiane Monnerat, as jornadas solo pela Itália se transformaram em muito mais do que simples viagens. Tornaram-se oportunidades de descoberta, reflexão e conexão com lugares que permanecem vivos na memória muito tempo depois do retorno.
Conhecida por sua atuação na defesa dos animais e pela literatura inspirada em sua trajetória profissional, tema presente em obras como Crime e Latido e nos conteúdos compartilhados por meio do perfil @literaturadosautos, Christiane encontrou nas estradas italianas uma fonte constante de inspiração. Mas, diferentemente da maioria dos turistas, seu olhar costuma se voltar para destinos que escapam dos roteiros tradicionais.
“Quando se fala em turismo na Itália, a maioria das pessoas pensa imediatamente em Roma, Veneza ou Florença. Mas algumas das minhas melhores experiências aconteceram justamente longe dos destinos mais óbvios”, conta.
Entre as lembranças mais marcantes está Lampedusa, uma das Ilhas Pelágias, situada no extremo sul do país. Mais próxima da África do que da Sicília, a ilha oferece uma atmosfera completamente diferente daquela encontrada nos grandes centros turísticos italianos.
“Lampedusa não é um destino internacional badalado. Pelo contrário, tive a impressão de estar em uma ilha frequentada principalmente pelos próprios italianos. Talvez seja justamente esse o seu charme”, relembra.
Para a escritora, a beleza do local está justamente na simplicidade. O azul cristalino do Mediterrâneo, o ritmo desacelerado da vida cotidiana e a sensação de estar diante de uma Itália ainda preservada do turismo de massa transformaram a experiência em uma das mais especiais de suas viagens.
No vulcão ETNA:
Outro cenário inesquecível foi Taormina, na Sicília. Ali, Christiane viveu dias que pareciam saídos de uma produção cinematográfica. Hospedada em um hotel esculpido na rocha, suspenso sobre o Mediterrâneo, ela se encantou com a perfeita integração entre arquitetura e natureza.
“A experiência me fez recordar o filme Le Grand Bleu (A Imensidão Azul), de Luc Besson, cujas cenas foram filmadas na região de Taormina. Entre o azul intenso do mar e a imponência do Etna ao fundo, tudo parecia ter saído de uma tela de cinema”, descreve.
Mas é em Siracusa que a viajante encontra uma das maiores riquezas da Sicília.
Frequentemente ofuscada pela fama de Taormina, a cidade guarda um patrimônio histórico e cultural que impressiona quem decide explorá-la sem pressa.
“Caminhar por Ortígia, seu centro histórico cercado pelo mar, é mergulhar em séculos de história. Há uma atmosfera especial nas praças, nos mercados, nas igrejas e nas pequenas ruas de pedra que parecem contar histórias a cada esquina.”
Para Christiane, viajar sozinha permite uma conexão mais profunda com os lugares visitados. Sem compromissos rígidos ou itinerários acelerados, cada destino pode ser vivido no próprio ritmo, valorizando encontros, descobertas e experiências que muitas vezes passam despercebidas aos olhos de quem apenas coleciona pontos turísticos.
Em um momento em que a Itália recebe milhões de visitantes atraídos por seus cartões-postais mais famosos, a escritora faz um convite simples: permitir-se ir além do esperado.
“Lampedusa, Taormina e Siracusa são três exemplos de uma Itália além do óbvio, lugares onde a beleza não está apenas nos monumentos, mas nas experiências, nas memórias e na sensação de descoberta que permanece muito depois do retorno para casa.”
Talvez esse seja o verdadeiro luxo das viagens solo: encontrar, longe das multidões, lugares capazes de nos transformar silenciosamente e permanecer conosco para sempre.
























































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