Preparo para o Novo Normal

Atualizado: Mai 19


O cérebro sempre valorizou a lei do menor esforço... Os seres humanos, em sua maioria, gostam da previsibilidade, da rotina. Se contentam com a provisão para o aluguel e para a sua alimentação...

Tendo o dinheiro básico à disposição, bancarizado ou não, regado com salários mensais ou proventos periódicos, se dão por satisfeitos.

Para a maioria, se tivermos comida na geladeira e a segurança de um imóvel - de preferência, com ar condicionado e TV a cabo -, além de previsão financeira para as despesas básicas esperadas, já será o suficiente. Neste caso, não há porque nos movimentarmos em prol do progresso e muito menos do melhor para a coletividade. O egoísmo, mesmo repreendido socialmente, é parte da natureza humana. A lei do menor esforço impera.

Desde 1954, após a publicação de "A Theory of Human Motivation" pelo psicólogo Norte-Americano Maslow, já se confirmava cientificamente, o que era conhecido mundialmente: Que necessidades fisiológicas e de segurança, como comida e habitação, são as protagonistas na cortina social. A maioria diz querer mais... Mas, quando percebem o esforço que têm que fazer para o novo resultado, desistem..

É sabido que, se você coloca um sapo em uma panela com água quente, ele pula para fora... Entretanto, se você colocá-lo em água fria e ligar o fogo, ele vai se adaptando a temperatura da água, sem pular, até morrer com ela fervente. Ou seja: se passarmos o período de isolamento social, parcial ou total, em completa inação, apáticos, com um pseudo contentamento preguiçoso; de olhos fechados para com o que nos cerca, em completo ócio, sem nada fazermos de diferente, paralisados em nossa evolução contemplativa, esperando o momento de crise passar, com a chegada do "Novo normal" se restabelecendo... Com certeza, a crise só irá passar para os outros.

Vivia de renda de imóveis? Com tantas opções, gerado pelo excesso de proprietários colocando imóveis para locação – antes, focados em vende-los já sem acharem compradores no preço esperado - e com uma renda da população enormemente menor, os preços cairão...

Vivia de dividendos de ações de empresas brasileiras? O risco de quebra será muito maior, com o aumento dos impostos governamentais sobre a produção de bens e serviços para compensar a diminuição da receita, além de diminuírem os juros do mercado financeiro, causando fuga em massa para uma bolsa de valores cada vez mais debilitada...

Vivia de salário mensal? Provavelmente, seu empregador terá problemas para manter te pagando o mesmo salário... Além disto, encontrará excessiva mão de obra ofertada cada vez mais barrata. Por exemplo: A aviação civil, as produtoras de veículos, as indústrias petrolíferas demorarão mais de 05 anos para retornarem ao ponto de equilíbrio.

Seja realista. Mire-se no espelho: Só esta pessoa do reflexo poderá mudar sua vida.

Para a maioria das pessoas, as habilidades que dispunham antes da pandemia serão no máximo úteis para sobreviverem - diferença enorme de viver. Ou seja, o que sabíamos antes da pandemia, não nos será mais 100% úteis, como se apresentavam.

Teremos que criar novas habilidades. Mesmo porquê, com um mundo cada vez mais mundialmente interligado, teremos concorrência dos novos desempregados mundiais, em sua maioria, com melhores qualificações educacionais e profissionais que a nossa. Opções como ir para outro país, mais desenvolvido, com mais vagas de trabalho, serão cada vez menores.

Para a sobrevivência na crise financeira que se arvora no horizonte, não temos mais a opção de trabalharmos sozinhos...Quem se isolar, acreditando em uma auto suficiência somente existente antes do COVID-19, tenderá, com o tempo, a ser descartada pelo coletivo.

A decisão é sua: Você pode ser protagonista do seu futuro ou receber o que vier.

Por tanto, não use as dificuldades momentâneas como desculpa. Arregace as mangas. Você tem muito mais potencial adormecido do que imagina.

Não podemos mais deixar que a religião, a política e mesmo a condição financeira privilegiada nos separem. Mais que higienizar as mãos e os ambientes, precisamos higienizar os nossos preconceitos. E porque não, sendo yunguista, nosso espírito e nossa alma.

Não é tempo de choro. Tanto as lágrimas quanto o suor são salgados, mas produzem resultados totalmente diferentes: No início, as lágrimas poderão até gerar simpatia, mas só o suor causará mudanças.

Se o "Novo normal" te assusta, e a crença de dias piores ainda persistir, lembre-se que Martin Luther King, em seu famoso discurso "I have a dream", nos deu algumas diretrizes contra estes tempos difíceis: "Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente, de qualquer jeito." e "Mesmo se eu soubesse que amanhã o mundo se partiria em pedaços, eu ainda plantaria a minha macieira.".

Planeje. Reúna pessoas, conhecidas ou não - mesmo que virtualmente. Crie novos negócios, de preferência pela internet. Monte equipes multidisciplinares, com as competências e os conhecimentos que lhe faltam... Tire o planejamento do papel. Gere mudanças. Não trabalhe com a expectativa de que todas as condições têm que estar favoráveis para você agir. Faça e cobre resultados com o que você tem. Prefira sempre: o agir, ao falar; o mostrar, ao simplesmente dizer; o fazer, às promessas vazias e protelatórias.

O COVID-19 vai passar... É uma questão de meses ou anos... Resta saber se, com todo este tempo livre, você o usou para se dedicar a algum novo projeto, a alguma nova habilidade, a adquirir algum novo conhecimento ou mesmo ler aquele livro, por tanto tempo parado na estante... Ou, se como tal livro, inerte, sua paralisia era uma mera desculpa que camuflava apenas a ausência de auto disciplina.

Só esta auto análise vai te permitir, quando passar esta pandemia, estar ou não preparado para o "Novo Normal".


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