O Mundo Pós-Covid19

Atualizado: Mai 19


Ouvi, de um grande banco, através de sua peça publicitária televisiva, a mensagem de incentivo para o fim do período do Corona Vírus: "... Porque tudo vai voltar ao normal". Que grande falácia... As soluções digitais, claramente, terão um impulso muito maior e serão protagonistas deste novo palco chamado Brasil.

O mundo ficará muito mais digital. Àqueles que não puderem acompanhar, seja por falta de recursos básicos - computador ou internet -, seja pelo analfabetismo digital, engrossarão mais ainda os números de nossas desigualdades sociais. 90% das escolas públicas brasileiras não estão sequer conectadas à internet. A população possui, no máximo, um celular pré-pago, com pacote restrito de dados, que não lhes permitem acessar aulas virtuais e ensino de qualidade. Ao que tudo indica, sem fechamento desta brecha digital, com a segregação de quem tem ou não recursos e conhecimento, o único resultado plausível é que impulsionarão as estatísticas de parias da sociedade e de altos índices de criminalidade.

Nada vai voltar ao normal... Pelo menos, não de imediato... O mundo ainda vai sofrer os efeitos desta pandemia por muito tempo. Quiça, nos próximos 05 a 10 anos - em relação a hábitos antigos - e entre 30 a 50 anos, com relação a recuperação da economia.

Viagens nacionais e internacionais; cafés no final da tarde junto a piscina do Copacabana Palace; passeios pelo Vaticano, pelo Luvre e pelo Prado; noitadas em Ibiza e festas faraônicas e descontraídas, com manifestações públicas e explícitas de carinho só terão lugar a partir do ano que vem...

Não há mágica: O "Novo Normal" dividirá nossa existência entre AC e DC - Antes do Covid 19 e Depois do Covid 19. Para vivermos bem durante e na era pós Covid - e não só sobrevivermos -, nada melhor que sermos proativos. Para isto, a informação de qualidade é o melhor caminho

Claro que, nesta guerra, diferente de qualquer outra, não destruímos a estrutura física. Nosso motor continua intacto, temporariamente sem combustível na maioria das áreas econômicas, mas apenas aguardando o retorno desta. Obviamente, o combustível, neste caso, virá muito mais caro e demorará muito mais tempo para ser pago por nossa população. Politicamente, o confinamento social é como se fossem obras de esgoto e saneamento: Se bem feitas, ninguém as verá e sequer repararão que ocorreram. E, portanto, causam desconforto e não gerarão muitos votos.

Para quem não quer se dar ao trabalho de produzir e deseja manter-se vivendo de rendas, sugiro trocar o investimento nos setores imobiliários - afinal teremos redução significativa de locações que honrem os contratos e de venda de imóveis com lucro. Os investimentos financeiros nacionais também não são uma boa pedida, visto que a reação de nossos governantes em preservar os gastos públicos e os impostos cobrados tenderão a piorar o mercado nacional. O que sugiro são os investimentos internacionais, através de Wallets americanas em dólares, com dividendos diários - bond flows -, avaliando BB Composite X Rank. Afinal, eles tem muito mais chances de gerarem lucros significativos, seja durante esta pandemia, seja após, em especial através de Títulos de Renda Fixa com liquidez dinâmica e isenção tributária W8. Um simples cartão de débito internacional resolverá a questão de câmbio, sem necessidade de pagar taxas bancárias nacionais.

Voltando ao Brasil, as leis trabalhistas da década de 40 serão mais flexíveis, incentivando acordos diretos bilaterais entre patrões e empregados, retirando exigências enraizadas e os chamados direitos "estapafurdios" - pelo menos na visão da maioria dos empregadores e do Estado -, tais como férias, 13º, etc..., sem intervenção de um modelo sindical que não existirá mais. Cada vez mais, modelos como o dos americanos e dos europeus de pagamento por hora sem complementos financeiros obrigatórios ganharão mais força. Mesmo porque, com a ascensão do Home Office, não competiremos mais apenas com o mercado nacional, mas com americanos e europeus desempregados, com educação muito mais qualificada que a nossa.

A população brasileira, em sua maioria caminhando a passos lentos, antes avessa a trocar o mundo profissional real pelo digital, que o via como complementar ao modo de trabalhar antigo - onde precisamos ainda de reuniões reais, de transporte físico poluidores em carros do ano, etc... - que usava menos de 30% em negociações online, agora vê formas melhores e mais produtivas para consumir e se fazerem consumir, diminuindo custos de manutenção de mão de obra, de espaços físicos, de transporte, etc...

Não há efeito elástico: O Darwinismo profissional se impõe. A população brasileira e o ambiente corporativo, antes tão conservadores, agora não teem mais tempo: Ou nos digitalizamos ou nos tornamos descartáveis.

As entregas em massa por Delivery, causadas pelo confinamento social, mostram às pequenas e médias empresas que os custos operacionais de manutenção, como a locação de um espaço físico e a manutenção de postos de emprego, podem ser drasticamente reduzidos, com aumento significativo de produtividade, muito mais barata... Teremos, após o Covid, um sistema hibrido, mais digital - e mais barato - que o físico. Postos de trabalho físicos tenderão a crescer apenas na logística de entrega, com mão de obra desqualificada e, por isto, mais barata. Já o trabalho digital, qualificado, cada vez mais terão postos abertos, porém, com menor remuneração, posto que a migração para esta área gerará oferta mundial em excesso. O lado bom é que os bons, inclusive os brasileiros, terão o mercado mundial à disposição, a um simples toque de computador.

Aos com mais de 50 anos, que viveram no Brasil dos anos de ditadura, sabiam que as melhores saídas sempre foram Cumbica e Galeão. Agora, tais opções já não são mais válidas, pelo menos a médio prazo, pois não haverão mais Europa ou EUA tão fortes quanto antes. Ainda melhores que o Brasil, mas cada vez menos necessitados de mão de obra física "mexicana"...

Claro que o Brasil ainda se destacará mundialmente na produção de alimentos. De maneira geral, o agronegócio brasileiro é um dos únicos setores que sairão muito bem desta crise, em especial nos de proteínas animais - carnes em geral - e os de grãos, com um mercado consumidor interno e externo cada vez mais atuante, tais como China e Egito, onde já começaram a cair as barreiras alfandegárias. Este é o setor que melhor reagirá nesta crise, inclusive por causa do Corona Voucher de R$ 600 do Governo Federal. Não há sinais de quebra de abastecimento. Obviamente, não são todos do agronegócios que estão indo bem. Os produtores de lácteos - que, em sua maioria, vendiam para restaurantes e transatlânticos - e os de frutas e flores, que necessitavam exportar por avião estão com redução financeira significativa.

Outro setor prejudicado foi o de combustível alternativo de Etanol, em especial agravado, além do Corona, com a redução dos preços internacionais de petróleo - que também sepultou temporariamente o Xisto americano.

O mundo percebeu o erro que foi eleger a China como maior produtora mundial de equipamentos médico hospitalares de ponta - com 90% da produção mundial - e a Índia como maior fornecedora de insumos de medicamentos - com 70% da produção mundial -, em ambos olhando exclusivamente o critério de preço. Não foi um bom negócio - afinal, com uma população quase trabalhando à beira da escravidão, com custos baixíssimos, sempre foi financeiramente viável. A reserva de mercado irá se acentuar mais, tentando se tornar auto suficiente, mesmo que o custo financeiro seja mais alto.

De uma hora para outra, o Home Office - desde que feito com gestão massiva eficiente - nos foi imposto e é irreversível. Como efeito colateral, algo que só estava presente nas lembranças dos mais antigos: O maior tempo de convívio familiar, o maior distanciamento do caos urbano, da vida agitada sem tempo para nada... O Auto cuidado e o cuidado com o outro sendo prioritários.

No pós Covid, nosso trabalho, nossas prioridades e pontos de vista mudarão: Diferenças religiosas, políticas e econômicas ficarão, por muito tempo, sem função, já que o vírus nos igualará e eliminará a classe média: Ou seremo pobres ou seremos ricos... Resta-nos a opção de saber de quê...

Isto posto, só me resta crer em um direcionamento: Desenvolvam habilidades digitais. No mais, fiquem à salvo. Fiquem bem. S.'.S.'.S.'.


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