Encerramento Festival do Rio 2019


"O único lugar possível de estar agora é na ficção", diz Regina Casé ao ganhar prêmio Redentor de melhor atriz no Festival do Rio

A premiação do Festival do Rio movimentou o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, na noite de quinta-feira, dia 19. Atendendo ao chamado dos promoters e empresários, Liège Monteiro e Luiz Fernando Coutinho, astros e estrelas compareceram ao evento apresentado por Fabio Porchat e Evelyn Castro.

"Enquanto o Porta for atacado por homofóbicos, milicianos e gente preconceituosa, a gente tá no caminho certo", diz Fabio Porchat.

Porchat comentou os ataques sofridos recentemente pelo 'Porta dos Fundos', que tem sido alvo de conservadores por conta de um especial de final de Natal pela Netflix: "Enquanto o Porta [dos Fundos] for atacado por homofóbicos, milicianos, gente preconceituosa, mostra que a gente tá no caminho certo. Meu problema é se a comunidade LGBTQI+ fosse contra o Porta. Aí a gente ia ter errado miseravelmente. Se alguma ONG pelos direitos dos afrodescendentes falasse alguma questão, aí a gente tava equivocado. Mas enquanto for o Feliciano atacando a gente, Garotinho, o Malafaia, a gente tá feliz".

A atriz Bruna Linzmeyer ganhou o Prêmio Félix de Personalidade do Ano e dedicou troféu a mulheres que amou. O Prêmio Félix laureia, dentro da premiação do Festival do Rio, os filmes de temática LGBTQI+. Já a atriz Regina Casé faturou o prêmio de Melhor Atriz pelo seu desempenho no filme 'Três Verões', de Sandra Kogut. Em seu discurso, Casé falou sobre o seu retorno à atuação, após anos trabalhando como apresentadora: "Fiquei pensando por que que eu migrei. Porque acho que o único lugar possível de estar agora é na ficção. Não tem mais lugar para mim - nem para ninguém - viver de uma maneira razoável, se não na ficção e na dramaturgia."

"Nós vamos conseguir reabrir a ANCINE", diz Fabrício Boliveira

Casé também exaltou a diversidade do Festival: "Eu fiquei muito feliz de ter visto tantos atores, roteiristas e diretores negros no palco e na tela. Isso, 10 anos atrás, não seria possível, e é muito legal ver ele [seu filho, Roque] representado por vocês todos, que estiveram aqui, foram premiados. Agradeço profundamente a todos vocês, [por] terem se esforçado tanto, resistido tanto, para estarem hoje, aqui, representados e servindo a essa representatividade que ele precisa tanto."

Ao ser questionado sobre os ataques do governo à classe artística, o ganhador do troféu Redentor de Melhor Ator, Fabrício Boliveira, por 'Breve Miragem do Sol' se mostrou otimista: "Nós conseguimos enfrentar esse ano de 2019, nós vamos conseguir reabrir a ANCINE - esse tem que ser nosso foco para 2020. É que a gente continue vibrando essa energia de mudança e de transformação que o cinema está trazendo para toda a sociedade, sabe? Apesar de todas as histórias de desmerecimento ao nosso trabalho como artistas, é só uma coisa que se repete em todo o governo ditatorial, né? É a primeira coisa que eles atacam, a gente já tá acostumado com isso. E estamos focados e fortes para poder vencer mais um ano. 2020 é nosso, sem medo."

Segue a lista de vencedores da Première Brasil, Prêmio Félix e Mostra Geração:

Première Brasil JÚRI OFICIAL, presidido por Mariza Leão, produtora, e composto por Bárbara Paz, atriz e diretora, Christine Bardsley, programadora de filmes, José Eduardo Belmonte, diretor, Susanna Lira, diretora e produtora, e Waldir Xavier, editor de som e montador

MELHOR LONGA-METRAGEM DE FICÇÃO - Fim de Festa, de Hilton Lacerda

MELHOR LONGA-METRAGEM DE DOC - Ressaca, de Vincent Rimbaux e Patrizia Landi

MELHOR CURTA-METRAGEM - A Mentira, de Klaus Diehl e Rafael Spínola

MELHOR DIREÇÃO DE FICÇÃO - Maya Da-Rin, por A Febre

MELHOR DIREÇÃO DE DOC - Vincent Rimbaux e Patrizia Landi, por Ressaca

MELHOR ATRIZ – Regina Casé, por Três Verões

MELHOR ATOR – Fabricio Boliveira, por Breve Miragem de Sol

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – Gabriela Carneiro da Cunha, por Anna

MELHOR ATOR COADJUVANTE - Augusto Madeira, por Acqua Movie

MELHOR FOTOGRAFIA – Miguel Vassy, por Breve Miragem de Sol

MELHOR MONTAGEM - Renato Vallone, por Breve Miragem de Sol

MELHOR ROTEIRO - Hilton Lacerda, por Fim de Festa

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI – para o Som do filme A Febre - Felippe Schultz Mussel e Breno Furtado (Som direto), Felippe Schultz Mussel e Romain Ozanne, (Edição de som) e Emmanuel Croset (Mixagem)

Menção honrosa do Júri especial - Favela é Moda, de Emílio Domingos e M8 – Quando a Morte Socorre a Vida, de Jeferson De

NOVOS RUMOS - Júri composto por Flávia Castro, diretora e roteirista, João Pedro Zappa, ator e Vicente Saldanha, diretor de arte.

MELHOR FILME - Sete Anos em Maio, de Affonso Uchôa

Menção honrosa (longa) - Marcelo Diorio, ator e co-roteirista de Rosa Azul de Novalis

MELHOR CURTA - Revoada, de Victor Costa Lopes

Menção honrosa (curta) - Bonde, de Asaph Luccas

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI - Chão, Camila Freitas

VOTO POPULAR:

MELHOR LONGA FICÇÃO: M8 - Quando a Morte Socorre a Vida, de Jeferson De

MELHOR LONGA DOCUMENTÁRIO: Favela é moda, de Emílio Domingos

MELHOR CURTA: Carne, de Camila Kater

PRÊMIO FELIX

Juri composto por Dannon Lacerda, Galba Gogóia, Luana Dias e Bruno Duarte.

Melhor Longa Ficção: Retrato de Uma Jovem Em Chamas, de Céline Sciamma

Melhor Longa Doc: Lemebel, um artista contra a ditadura chilena, de Joanna Reposi Garibaldi

Melhor Longa Brasileiro: Alice Júnior, de Gil Baroni

Prêmio Especial do Júri: Bicha-Bomba, de Renan de Cillo

Menção Honrosa - Camille Cabral, pela atuação em luta dos direitos humanos

MOSTRA GERAÇÃO

Melhor filme Júri Popular - Alice Júnior, de Gil Baroni

Crédito das fotos: Davi Campana, Rogerio Resende e Rogerio Fidalgo


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